Por que não?

Porque não sou apenas um corpo que deseja satisfazer suas vontades, mas um conjunto disto e de sentimentos e pensamentos que nem sempre convergem para um mesmo fim.
Se por um lado há um desejo grande que urge em ser realizado, por outro há um sentimento confuso que não sabe para onde ir, e como não existem somente moedas de duas faces, há um terceiro lado que baseado no passado grita suplicando o não cumprimento desse desejo...
Mas o pensamento perde força quando julga que experiência não trás garantias para previsões.
O conjunto anseia para que estes lados caminhem em uma mesma direção, mesmo que em velocidades extremamente diferentes.
Se um mínino de conhecimento é possível, desejaria conhecer o ponto em que a dor bloqueará todos esses caminhos.
24/12/2010

Árduo Esquecimento

Tuas moléculas penetraram minh'alma.
Teu suor, tua saliva, teu gozo.

Tuas ondas sonoras,
o movimento dos teus músculos,
a cor da tua imagem,
encontraram morada em minha pele,
em minha memória, 
em minhas vísceras,
em meu coração.

Agora desejo arrancar-te de mim, desesperadamente!
Mas são tados pedaços...
Só consigo expelir-te, pouco a pouco
através de lágrimas.

Do contato

Eu o via...
O observava
Atentamente

Sentia seu cheiro
O experimentava
Apaixondamente

Seus olhos me falavam
suas verdades mais profundas
Sua pele me contava segredos
...guardados a sete chaves

Mas ele queria ser ouvido
Ele ansiava transformar suas palavras em verdade
Mas nem tudo pode ser dito
Nem tudo foi dito

Como filtramos o mundo

Os filtros da minha alma
precisam ser trocados!

Hoje carregam tanta lama
que por eles já não passa
uma gota d'água.

Da Vital Companhia


Li e fiquei pensando no que passou
Em quem se foi
Em quem ficou
Em como poderiamos ter ido
E como podemos permanecer...


PREGUNTA. La forma que usted y Deleuze han encontrado para trabajar juntos me recuerda un poco a Montaigne y La Boétie, y a lo que Montaignedecía sobre su relación con La Boétie: «Si me preguntasen por qué lo amaba, diría: porque era él; porque no era yo». A partir de eso la cuestión que le planteo es si para no caer en un agujero negro no es esencial que haya alguien con quien se pueda proseguir en el proceso. Alguien que, en cierta manera,nos ayude un poco a mantener los pies en la tierra de vez en cuando, y a quien nosotros también le sirvamos, de vez en cuando, de apoyo para que él no caiga en un agujero negro. Me pregunto si personas como Lenz, Artaud, Nietzsche, no habrán caído exactamente por estar completamente solos.

GUATTARI. Usted mismo respondió a su pregunta. Pienso que, efectivamente, nunca se puede disociar los procesos maquínicos de las estructuras de reterritorialización —para adoptar un lenguaje más complicado, sofisticado o pedante, no sé. La cuestión de la construcción de expresión, de la construcción maquínica —que cambia los hechos, que los actualiza, que impulsa nuevas referencias, nuevos universos— es inseparable de la cuestión de los territorios o de los «cuerpos sin órganos» sobre  los cuales se inscriben, se marcan, se encarnan los devenires maquínicos, los procesos incorporales. Pero es precisamente ahí donde encontramos toda la ambigüedad del territorio, de la desterritorialización y de las reterritorializaciones. Una pareja puede tener (estoy convencido de eso) una productividad extraordinaria en cierto tipo de agenciamiento y puede, igualmente, desembocar en un infierno «entre cuatro paredes» (para retomar la expresión de Sartre), en una impotencia sistemática.

(Trecho do "Micropolítica. Cartografias del deseo". de Suely Rolnik y Félix Guattari)
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